Restauração do Vagão Panorâmico resgata a elegância dos trens de 1ª classe do início do século XX com trabalho técnico e recursos próprios do Museu Ferroviário de Tubarão
Por: Redação Circuito Turístico/Silvia Zarbato Speck
Após dois anos de trabalho intenso, o Museu Ferroviário de Tubarão/SC, concluiu em 2025 a restauração do Vagão Panorâmico, uma joia sobre trilhos que remonta ao início do século XX. O projeto foi desenvolvido pela arquiteta Michele Wanderlindi e executado inteiramente pela equipe técnica do próprio museu, com recursos próprios da instituição.
Segundo a museóloga Silvana Silva de Souza, a restauração foi resultado de um processo minucioso de pesquisa, que envolveu o estudo de fotografias, plantas técnicas e documentos históricos da época. “Nos empenhamos em manter a fidedignidade dos vagões de 1ª classe, respeitando cada detalhe do projeto original. Foi um trabalho de preservação que valoriza não apenas o nosso patrimônio ferroviário, mas a memória afetiva de toda uma região”, destacou.
O Vagão Panorâmico tem capacidade para 20 pessoas e ainda não está disponível para passeios regulares. Seu uso será destinado a grupos fechados em eventos especiais, o que reforça o caráter exclusivo da peça restaurada.
A museóloga também ressaltou o compromisso permanente do museu com a preservação de seu acervo e a qualificação de sua infraestrutura. “Estamos sempre buscando formas de viabilizar nosso trabalho, seja por meio de novos projetos de restauro, seja na melhoria contínua do espaço e da experiência oferecida ao público”, concluiu Silvana.



O restauro do Vagão Panorâmico reafirma o papel do Museu Ferroviário de Tubarão como guardião da história ferroviária de Santa Catarina, preservando não apenas objetos, mas também memórias e modos de vida que moldaram o desenvolvimento da região.
Acervo encantador
O Museu Ferroviário de Tubarão é um dos mais relevantes e possui coleções de locomotivas a vapor não só do Brasil, mas da América Latina. Hoje, há no local, coleção de 21 locomotivas a vapor e uma diesel elétrica. Tem ainda no acervo material rodante ferroviário, 10 vagões de passageiros que estão disponibilizados para o passeio turístico ferroviário. Outros vagões também de litorinas integram o acervo rodante. Os turistas e moradores também podem conhecer grande conjunto de peças, equipamentos, mobiliário, acervo histórico, documental, bibliográfico e de obras de arte.
O museu na sua coleção completa possui mais de 40.000 itens. O acervo é muito rico e conta a história da região sul catarinense e também a história da estrada de ferro Dona Thereza Cristina, desde o seu período de implantação até os dias de hoje. Somando 141 anos de história.
Os horários de visitação do museu são de segunda a sexta-feira, das 8 ao meio-dia e das 13h30min às 17:00 horas para atendimento ao público. Nos finais de semana é aberto nas datas que acontecem o passeio ferroviário.
A Sociedade dos Amigos da Locomotiva a Vapor (SALV) é a mantenedora do museu. Os recursos do museu são oriundos dos passeios de trem, da colaboração por contribuição espontânea dos visitantes e moradores, da venda de souvenir, de parcerias com a Ferrovia Thereza Cristina e Prefeitura Municipal de Tubarão que apoiam o museu, entre outras instituições.
Passeio de Maria- Fumaça: explorando a tradição e a gastronomia
Viajar no tempo é possível sobre trilhos no sul de Santa Catarina. A bordo da Maria Fumaça, uma locomotiva a vapor fabricada em 1949 nos Estados Unidos, milhares de visitantes embarcam todos os anos em uma jornada cultural e histórica que percorre cidades como Criciúma, Siderópolis, Urussanga, Tubarão, Laguna e Imbituba.
Os passeios, promovidos pelo Museu Ferroviário de Tubarão com autorização da Ferrovia Tereza Cristina, concessionária da malha ferroviária no sul do Estado, são realizados em datas programadas, com duas a três saídas mensais, sempre aos finais de semana. Muitas das viagens ganham decoração temática em datas comemorativas, encantando ainda mais os passageiros.

A locomotiva é a vapor, modelo Mikado, fabricada nos Estados Unidos no ano de 1949.Com capacidade para 250 pessoas, os vagões de madeira das décadas de 1950 e 1960 ajudam a criar a atmosfera nostálgica da experiência. A operação da locomotiva exige preparo técnico e muita dedicação: são usados, em média, oito mil litros de água e uma tonelada de lenha por viagem.
Em 2023, cerca de 12 mil pessoas viveram essa experiência, sendo a maioria — 85% — de fora da região. Turistas de vários estados e até de outros países buscam o passeio para conhecer a história da ferrovia, se conectar com as raízes do transporte ferroviário brasileiro e vivenciar o charme de um tempo que resiste ao presente.
A Maria Fumaça não é apenas um meio de transporte, mas um verdadeiro patrimônio cultural em movimento, que mantém viva a memória ferroviária do sul catarinense.
Memória afetiva
Viajar é uma oportunidade não apenas de explorar novos lugares, mas também de vivenciar experiências únicas e enriquecedoras. Esta emoção foi vivenciada pela turma de dança da By Ritmos de Tubarão/SC há dois anos, e todos lembram até hoje, com emoção, a bela viagem que fizeram. A equipe embarcou em uma jornada especial rumo a Urussanga, uma cidade encantadora conhecida por sua história, cultura e, é claro, seus vinhos e gastronomia italiana.
O passeio começou de maneira emocionante, com a turma embarcando em uma autêntica Maria Fumaça. O som do apito ecoava pelos vagões enquanto os passageiros se acomodavam, ansiosos pela aventura que estava por vir. O cenário urbano e rural, com suas paisagens pitorescas e campos verdejantes, proporcionava momentos de contemplação e admiração enquanto passava lentamente pelas janelas. Moradores das cidades por onde o trem passava acenavam para os passageiros, adicionando um toque de calor humano à jornada.

Durante a viagem, gaiteiros entoavam melodias italianas, envolvendo os viajantes em uma atmosfera nostálgica. Além disso, uma explanação sobre a história dos italianos foi oferecida pelos vagões, enriquecendo ainda mais a experiência. Ao longo de duas horas e meia, os participantes puderam mergulhar nessa atmosfera única, repleta de memórias e emoções.
Ao chegarem em Urussanga/SC, a atmosfera acolhedora da cidade do vinho os envolveu imediatamente. Um ônibus levou-os para a Vinícola Mazon, onde os passageiros foram recebidos de braços abertos, pronta para apresentar aos visitantes os segredos por trás de seus renomados vinhos.
A visita à vinícola foi uma experiência sensorial inesquecível. Guiados por especialistas apaixonados pela arte da vinificação, a turma teve a oportunidade de degustar deliciosos vinhos e queijos.
Mas a experiência não parou por aí. A vinícola também ofereceu uma seleção de queijos artesanais, perfeitamente harmonizados com os vinhos locais. Os sabores intensos e as texturas cremosas dos queijos complementavam os vinhos de maneira sublime, criando uma sinfonia gastronômica que deixou todos os presentes extasiados.
E como toda boa jornada culinária merece um final à altura, a turma desfrutou de um almoço tipicamente italiano, preparado com ingredientes frescos e receitas tradicionais. A mesa farta era um convite à celebração, onde risadas ecoavam e histórias eram compartilhadas entre garfadas.
Ao se despedirem de Urussanga, os passageiros levaram consigo não apenas memórias preciosas, mas também um profundo apreço pela riqueza cultural e gastronômica da região. O passeio de Maria Fumaça até a cidade do vinho foi muito mais do que uma simples viagem; foi uma jornada de descoberta, conexão e deleite para todos os sentidos.
Também são oferecidos passeios de trem com saída de Tubarão com destino a Siderópolis/SC. O roteiro inclui almoço e visita ao Parque Aguai Santuário Ecológico, localizado na comunidade de São Pedro, próximo à Barragem do Rio São Bento. Lá os visitantes podem degustar uma deliciosa comida italiana. Os visitantes podem também passear de gôndola, a primeira gôndola navegável e construída no Brasil. Na embarcação, é possível navegar nas águas da barragem do Rio São Bento. O parque também possui a menor igreja da América Latina. Possui, ainda, passeios até as cidades de Imbituba com o Expresso Baleia Franca e o Expresso Anita em Laguna.
História
O final do século XIX foi marcado por profundas transformações: A formação urbana da área central da cidade, a imigração europeia para as colônias Grão-Pará e Azambuja, a criação da comarca de Tubarão (Lei 745, de 19 de abril de 1875) e, sobretudo, a implantação da Estrada de Ferro Dona Tereza Cristina, foram responsáveis diretos pelo desenvolvimento econômico do município.
De todos esses, o mais emblemático foi, com certeza, a abertura das linhas férreas pela região sul – catarinense. Inaugurada em 1 de setembro de 1884, por Visconde de Barbacena e seus sócios ingleses, o primeiro trecho da Estrada de Ferro pretendia ligar a Estação da Piedade (Tubarão) à localidade de Minas (atual Lauro Múller). O carvão mineral descoberto na região trazia empreendedores e impulsionava o desenvolvimento a bordo dos trens que cruzavam os trilhos de cidades que cresciam em suas margens. O trem tornou-se o principal símbolo da época e o trabalho vinculado à ferrovia obteve status social elevado. Tubarão beneficiou-se muito dessa atividade, sobretudo a partir de 1906, quando as oficinas centrais e a fundição são instalados no município, onde atualmente é o bairro de Oficinas.
Esta história é recontada pelo acervo do museu, composto de máquinas a vapor, de vagões, de documentos e outros objetos utilizados pelo transporte ferroviário. O museu foi criado em 1997 por iniciativa do médico José Warmuth Teixeira e de trabalhadores da antiga Rede Ferroviária Federal e da Ferrovia Tereza Cristina. O museu possui máquinas a vapor, sendo que 80% rodaram nos trilhos da estrada de ferro Tereza Cristina.
A entrada no Museu, é livre e os horários de funcionamento são de segunda a sexta-feira das 08:00 às 12:00 e das 13:30 às 17:00. Para maiores informações: telefone (48) 3632-3450 ou (48) 9.8868-1414.
Tubarão fortalece laços com República Dominicana em encontro cultural no Museu Ferroviário
O Museu Ferroviário de Tubarão/SC, um dos principais símbolos da história e da identidade da cidade, foi o ponto de encontro para um momento importante de intercâmbio cultural e turístico entre o Brasil e a República Dominicana. O local, que preserva a memória ferroviária do sul de Santa Catarina e atrai visitantes de diversas regiões, serviu de cenário para recepcionar autoridades nacionais e internacionais que vislumbram o fortalecimento do turismo como ferramenta de desenvolvimento.
No dia 8 de abril, o diretor administrativo e financeiro da IGR Encantos do Sul, Jefferson Beltrame Lemos, o secretário de Indústria, Comércio, Turismo e Serviços de Tubarão, Samuel Rosa, e o presidente da Câmara de Vereadores, Felipe Tessmann, recepcionaram a conselheira da Embaixada da República Dominicana, Rosana Polanko, vinda de Brasília, e a diretora de Marketing e Inovação da Secretaria de Estado do Turismo (Setur), Dirlei Barbieri Rofner. Eles tiveram a oportunidade de conhecer o Museu Ferroviário e o vagão panorâmico que foi restaurado.

A visita teve como objetivo promover a troca de experiências entre os destinos e discutir possibilidades de colaboração para o fortalecimento do turismo integrado entre os dois países. “Trabalhamos muito bem o turismo em Santa Catarina, e a Encantos do Sul é um exemplo. Que você possa levar boas referências para a República Dominicana e que possamos continuar esse intercâmbio para estreitar ainda mais os vínculos”, destacou Dirlei Rofner.
Rosana Polanko agradeceu o convite e ressaltou a importância da troca de conhecimentos proporcionada pela visita ao Museu Ferroviário, apontando o potencial de cooperação mútua para o desenvolvimento de ações futuras. “Foi um momento de aprendizado e planejamento. Fiquei muito feliz com a recepção”, afirmou.








