Registro inédito no Brasil foi feito pelo ProFRANCA e amplia o conhecimento científico sobre a característica genética da espécie
Uma observação inédita chamou a atenção da equipe do ProFRANCA – Projeto Franca Austral, no dia (14), no litoral de Santa Catarina. Uma segunda fêmea de baleia-franca-austral (Eubalaena australis) com coloração semi-albina foi avistada dentro de uma mesma temporada reprodutiva. Curiosamente, essa nova fêmea estava acompanhada por um filhote com o mesmo padrão de coloração, também semi-albino.
“Inicialmente pensamos que poderia ser a mesma fêmea já avistada, mas a presença do filhote também semi-albino chamou a atenção, o que permitiu ter certeza de que se trava de outra fêmea, mesmo sem comparar as duas”, ressalta Karina Groch, Diretora de Pesquisa do ProFRANCA.
Ambas as fêmeas foram registradas na enseada da Ribanceira e de Ibiraquera, no município de Imbituba (SC), região central da Área de Proteção Ambiental (APA) da Baleia Franca, sendo a primeira registrada ao longo do sobrevoo no mês de setembro e o segundo a partir de imagens aéreas registradas pelo coordenador de pesquisa Kevin S. Christmann, durante o monitoramento aéreo remoto feito com o uso de drone, uma das linhas de pesquisa do ProFRANCA, que conta com a parceria da Petrobras.
A utilização dessa tecnologia contribui para o monitoramento dos animais e a obtenção de informações importantes sobre a população de baleias-francas que utilizam o litoral brasileiro durante a temporada reprodutiva. O registro é especialmente relevante para a pesquisa científica, pois amplia o conhecimento sobre a ocorrência do semi-albinismo na população de baleias-francas que utiliza o litoral brasileiro para reprodução e cuidado dos filhotes. O semi-albinismo é uma expressão física (fenótipo) de uma característica genética em particular associada aos cromossomos sexuais, e, observar que mais indivíduos estão expressando essa característica na população é um indício de que estamos observando um potencial aumento na diversidade genética local.
O semi-albinismo é uma condição caracterizada pela ausência parcial de pigmentação, que resulta em áreas mais claras no corpo do animal. Nas baleias-francas, cuja coloração típica é predominantemente escura, essas variações podem produzir padrões de coloração incomuns, tornando os indivíduos facilmente reconhecíveis durante as atividades de monitoramento.
“O gene associado ao albinismo parcial está localizado no cromossomo feminino X. Assim como todos os mamíferos, fêmeas possuem dois X, enquanto machos possuem XY, ou seja, fêmeas precisam de dois genes para terem a condição semi-albina enquanto machos precisam de apenas um gene para que a condição apareça. Além disso, para que uma fêmea seja semi-albina, obrigatoriamente ela tem que receber o cromossomo X que contêm essa informação também do seu pai, ou seja obrigatoriamente o pai de uma fêmea semi-albina também terá a mesma condição” ressalta Eduardo Renault, Diretor de Projetos do ProFRANCA/Instituto Australis.
Uma fêmea semi-albina possui no mínimo 50% de chance de possuir um filhote na mesma condição, e, quando acasala com um macho de padrão de cor normal, seu filhote macho sempre terá o padrão de coloração igual o da mãe, porém as fêmeas terão o padrão de cor normal. O filhote observado no sobrevoo de setembro possuía a coloração típica preta de uma baleia-franca. Isso nos dá 100% de certeza de se tratar de uma fêmea. Já este filhote observado em outubro, por possuir a condição de semi-albino não conseguimos afirmar o sexo já que não sabemos se o seu pai possui ou não o X com gene do semi-albinismo.” afirma Eduardo.
“O monitoramento de fêmeas com filhotes é uma das atividades importantes desenvolvidas pelo ProFRANCA durante a temporada reprodutiva da espécie. Por meio da identificação individual e do acompanhamento dos animais ao longo dos anos, a equipe reúne informações sobre reprodução, distribuição e permanência das baleias-francas na costa brasileira. Registros como este reforçam a importância das pesquisas de longo prazo e do uso responsável de tecnologias de monitoramento para compreender a biologia da baleia-franca-austral e contribuir para sua conservação”, comenta Karina Groch.
O ProFRANCA – Projeto Franca Austral é realizado pelo Instituto Australis, com a parceria da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental.








