Tecnologia de telemetria implantada nos cetáceos permite monitorar a rota e o comportamentos dos animais
Por: Redação Circuito Turístico/Silvia Zarbato
O turismo de inverno em Santa Catarina não se resume apenas às baixas temperaturas e à gastronomia local. Uma das atrações mais encantadoras para os visitantes é a temporada de observação das baleias-francas, que migram para as águas mais quentes do litoral brasileiro entre os meses de julho e novembro. Durante esse período, as praias da região se transformam em pontos privilegiados para avistar esses gigantes dos mares, que se aproximam da costa para reproduzir e amamentar seus filhotes. Agora, um novo projeto está levando essa experiência a um patamar ainda mais interessante, ao unir a observação das baleias com a tecnologia de ponta, permitindo um monitoramento mais detalhado desses animais.
As baleias-francas que visitam o litoral brasileiro estão sendo monitoradas virtualmente desde 26 de agosto pelo projeto ProFRANCA, que estuda e está à frente da conservação da espécie no Brasil, com patrocínio da Petrobras, e pelo Instituto Aqualie, em parceria com o GEMARS e a Universidade Federal de Juiz de Fora.
O trabalho é realizado com a tecnologia da telemetria satelital, similar ao GPS. A meta é avaliar os movimentos e uso de habitat das baleias-francas ao longo da costa do Brasil, determinando sua rota migratória às áreas de alimentação após o período reprodutivo. Esses dados nunca foram descritos e as informações podem contribuir para a conservação da espécie e melhor entender a relação das baleias que vêm ao Brasil com aquelas de outras regiões no Oceano Atlântico Sul.
A telemetria implica em instalar dispositivos no dorso das baleias – como se fossem “brincos” que ficam presos por vários meses. A partir da instalação do dispositivo, os cientistas conseguem rastrear os movimentos e comportamentos dos animais em tempo quase real, com informações enviadas aos pesquisadores de forma remota, por meio de satélites.
“Instalamos dispositivos em 08 baleias, que podem ser acompanhadas pelo link https://baleiafranca.org.br/seguindo-baleias/”, afirma Eduardo Renault, gerente do ProFRANCA. De acordo com Eduardo, “esta pesquisa inédita irá contribuir para as ações que realizamos no ProFRANCA, onde estamos tentando identificar quais áreas de alimentação as baleias-francas utilizam, informação fundamental frente à conservação da espécie, tendo em vista que mudanças climáticas afetam diretamente a disponibilidade de alimento das baleias podendo resultar em alterações nas taxas de reprodução das baleias-francas no nosso litoral”.
Já em curso, a mesma tecnologia é empregada pelo Instituto Aqualie, pioneiro no desenvolvimento e aplicação, que desde os anos 2000 tem usado a telemetria para monitorar várias espécies de baleias, principalmente a baleia jubarte para descobrir suas rotas migratórias e entender suas áreas de alimentação no Oceano Atlântico Sul. Esses estudos levaram à proteção de áreas cruciais para a espécie ao longo do litoral brasileiro.
O projeto argentino Seguiendo Ballenas, que tem o Instituto Aqualie como parceiro, já realiza a telemetria em baleias-francas desde 2014, com ótimos resultados sobre as áreas de alimentação utilizadas por essa espécie, antes muito pouco conhecidas. A baleia-franca-austral é a única espécie de baleia ameaçada de extinção que se reproduz na costa brasileira.
O ProFRANCA atua na pesquisa, sensibilização e valorização da baleia-franca-austral no Sul do Brasil, alinhando a pesquisa e o desenvolvimento socioambiental, e busca aplicar metodologias inovadoras que possam contribuir para a conservação da espécie. O ProFRANCA – Projeto Franca Austral – realizado pelo Instituto Australis e conta com patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, por meio do Programa Petrobras Socioambiental.

















